domingo, 29 de novembro de 2015

O Verdadeiro Método de Estudar, Carta 10º (sobre a Física)

Eu logo suspeito mal de um homem quando vejo que busca rodeio de palavras para me persuadir alguma coisa. Se a razão é boa, não necessita adornos; se o não é, não se deve usar na Física, nem em nenhuma ciência. Se eu falo a um homem em matéria, forma e privação, actos primeiros e segundos, acções educativas, etc., isto é uma salada tal, que estou certo não entenderá palavra. 
Pelo contrário, se lhe aponto ou mostro as experiências que se fizeram nesta ou naquela matéria, e lhe explico as consequências que daqui se tiram, cuido que me há-de entender; e, se for homem que se aplica, facilmente se capacitará do que lhe digo.
Por este princípio digo da Física o que já disse a V.P. da Lógica: que a Física que não se entende deve-se desprezar, e coisas que não se provam não se devem admitir. O Físico deve falar claro; propor as suas razões em qualquer língua de sorte que todos o entendam; e, sobretudo, deve estar tão advertido nas provas que recebe, que sejam como a moeda corrente, que corre em todo o país.

[Luís António Verney em O Verdadeiro Método de Estudar (1746)]

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Dissertação sobre as paixões da alma

Quem for de tão feliz constituição que puder conservar a alegria do ânimo terá alívio e ainda remédio de muitos males. Pechelenius (Lib.2, obs.27, pag.463) viu artríticos que não sentiram as dores daquela queixa com a alegria que tinham pela conversação agradável, pela música, e pela companhia de pessoas que amavam. 

[António Ribeiro Sanches em Dissertação sobre as paixões da alma (1753)]