domingo, 20 de dezembro de 2015

Olhai os lírios do campo

O mundo seria insuportável se as criaturas tivessem boa memória.

[Érico Veríssimo em Olhai os lírios do campo]

domingo, 29 de novembro de 2015

O Verdadeiro Método de Estudar, Carta 10º (sobre a Física)

Eu logo suspeito mal de um homem quando vejo que busca rodeio de palavras para me persuadir alguma coisa. Se a razão é boa, não necessita adornos; se o não é, não se deve usar na Física, nem em nenhuma ciência. Se eu falo a um homem em matéria, forma e privação, actos primeiros e segundos, acções educativas, etc., isto é uma salada tal, que estou certo não entenderá palavra. 
Pelo contrário, se lhe aponto ou mostro as experiências que se fizeram nesta ou naquela matéria, e lhe explico as consequências que daqui se tiram, cuido que me há-de entender; e, se for homem que se aplica, facilmente se capacitará do que lhe digo.
Por este princípio digo da Física o que já disse a V.P. da Lógica: que a Física que não se entende deve-se desprezar, e coisas que não se provam não se devem admitir. O Físico deve falar claro; propor as suas razões em qualquer língua de sorte que todos o entendam; e, sobretudo, deve estar tão advertido nas provas que recebe, que sejam como a moeda corrente, que corre em todo o país.

[Luís António Verney em O Verdadeiro Método de Estudar (1746)]

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Dissertação sobre as paixões da alma

Quem for de tão feliz constituição que puder conservar a alegria do ânimo terá alívio e ainda remédio de muitos males. Pechelenius (Lib.2, obs.27, pag.463) viu artríticos que não sentiram as dores daquela queixa com a alegria que tinham pela conversação agradável, pela música, e pela companhia de pessoas que amavam. 

[António Ribeiro Sanches em Dissertação sobre as paixões da alma (1753)]

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Amal e a Carta do Rei

Amal: Senhor sineiro, eu queria ouvi-lo tocar o sino!
Sineiro: Não é altura ainda menino.
Amal: É engraçado, há quem muitas vezes diga que "não é ainda tempo",
e há outros que dizem que "já não é tempo". Para ti é a altura exacta quanto tocas o sino?
Sineiro: Não não não... eu espero que chegue o momento para tocar o sino.
Amal: Quando é meio dia, depois do almoço o meu tio vai trabalhar, a tia adormece sentada no pátio à sombra do muro, o nosso cão dorme. E é então que se ouve o teu sino: Blaum Blaum Blaum! Explica-me, porque soa o teu sino?
Sineiro: Bom, o meu sino soa para indicar a cada um que o tempo passa, que não espera por ninguém, que passa e vai-se para sempre.
Amal: Diz-me, para onde vai ele, o tempo? Para onde vai? Para que terra?
Sineiro: Ninguém sabe.
Amal: Onde nunca ninguém nem esteve?

[Rabindranath Tagore em Amal e a Carta do Rei] 

sábado, 3 de outubro de 2015

O Discurso do Método

(...) não se inclinando a nossa vontade a seguir ou a fugir a qualquer coisa, senão conforme o nosso entendimento lha represente como boa ou má, basta bem julgar, para bem proceder (...)

[Descartes em O Discurso do Método]

O Discurso do Método

(...) a pluralidade das vozes não é prova que valha algo para as verdades um pouco difíceis de descobrir, por ser bem mais verossímil que um só homem as tenha encontrado do que todo um povo (...)

[Descartes em O Discurso do Método]

O Discurso do Método

É bom saber algo dos costumes de diversos povos, a fim de que julguemos os nossos mais sãmente e não pensemos que tudo quanto é contra os nossos modos é ridículo e contrário à razão, como soam proceder os que nada viram. Mas, quando empregamos demasiado tempo em viajar, acabamos tornando-nos estrangeiros em nossa própria terra; e quando somos demasiado curiosos das coisas que se praticavam nos séculos passados, ficamos ordinariamente muito ignorantes das que se praticam no presente.

[Descartes em O Discurso do Método]

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Olhai os lírios do campo

Agora se lembrava do Eugênio de seis anos, explicando a causa do trovão a Ernesto: “Tão de mudança lá no céu. São Pedro está arrastando os móvel…”

[Érico Veríssimo em Olhai os lírios do campo]

Olhai os lírios do campo

Nasci para advogado- dizia. Se eu tivesse tido um pouco de juízo quando moço…”. Calava-se, entortava a cabeça, batia a cinza do charuto e ficava em atitude sonhadora. De certo via mentalmente o seu passado, os seus erros e uma carreira perdida. Ou então pensava apenas no efeito que aquelas palavras e aquela sugestiva postura podiam estar produzindo nos interlocutor.

[Érico Veríssimo em Olhai os lírios do campo]

Sermão da Montanha

Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou beber, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Porventura não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestido? Olhai as avés do céu: não semeam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas?
Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? 
Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: Não trabalham nem fiam! Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificiência, se vestiu como qualquer um deles. Ora se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé?
Não vos preocupeis dizendo: “Que comeremos, que beberemos, que vestiremos?”. Os pagãos, esses sim, afadigam-se com tais coisas; porém, o vosso Pai celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu problema.

[Parte do Sermão da Montanha retirada do Evangelho segundo S.Mateus, Bíblia]

Do alto da ponte

Just remember, kid, you can quicker get back a million dollars that was stole than a word that you gave away.

[Arthur Miller in A view from the Bridge]