segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Amal e a Carta do Rei

Amal: Senhor sineiro, eu queria ouvi-lo tocar o sino!
Sineiro: Não é altura ainda menino.
Amal: É engraçado, há quem muitas vezes diga que "não é ainda tempo",
e há outros que dizem que "já não é tempo". Para ti é a altura exacta quanto tocas o sino?
Sineiro: Não não não... eu espero que chegue o momento para tocar o sino.
Amal: Quando é meio dia, depois do almoço o meu tio vai trabalhar, a tia adormece sentada no pátio à sombra do muro, o nosso cão dorme. E é então que se ouve o teu sino: Blaum Blaum Blaum! Explica-me, porque soa o teu sino?
Sineiro: Bom, o meu sino soa para indicar a cada um que o tempo passa, que não espera por ninguém, que passa e vai-se para sempre.
Amal: Diz-me, para onde vai ele, o tempo? Para onde vai? Para que terra?
Sineiro: Ninguém sabe.
Amal: Onde nunca ninguém nem esteve?

[Rabindranath Tagore em Amal e a Carta do Rei] 

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