segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Amal e a Carta do Rei

Amal: Senhor sineiro, eu queria ouvi-lo tocar o sino!
Sineiro: Não é altura ainda menino.
Amal: É engraçado, há quem muitas vezes diga que "não é ainda tempo",
e há outros que dizem que "já não é tempo". Para ti é a altura exacta quanto tocas o sino?
Sineiro: Não não não... eu espero que chegue o momento para tocar o sino.
Amal: Quando é meio dia, depois do almoço o meu tio vai trabalhar, a tia adormece sentada no pátio à sombra do muro, o nosso cão dorme. E é então que se ouve o teu sino: Blaum Blaum Blaum! Explica-me, porque soa o teu sino?
Sineiro: Bom, o meu sino soa para indicar a cada um que o tempo passa, que não espera por ninguém, que passa e vai-se para sempre.
Amal: Diz-me, para onde vai ele, o tempo? Para onde vai? Para que terra?
Sineiro: Ninguém sabe.
Amal: Onde nunca ninguém nem esteve?

[Rabindranath Tagore em Amal e a Carta do Rei] 

sábado, 3 de outubro de 2015

O Discurso do Método

(...) não se inclinando a nossa vontade a seguir ou a fugir a qualquer coisa, senão conforme o nosso entendimento lha represente como boa ou má, basta bem julgar, para bem proceder (...)

[Descartes em O Discurso do Método]

O Discurso do Método

(...) a pluralidade das vozes não é prova que valha algo para as verdades um pouco difíceis de descobrir, por ser bem mais verossímil que um só homem as tenha encontrado do que todo um povo (...)

[Descartes em O Discurso do Método]

O Discurso do Método

É bom saber algo dos costumes de diversos povos, a fim de que julguemos os nossos mais sãmente e não pensemos que tudo quanto é contra os nossos modos é ridículo e contrário à razão, como soam proceder os que nada viram. Mas, quando empregamos demasiado tempo em viajar, acabamos tornando-nos estrangeiros em nossa própria terra; e quando somos demasiado curiosos das coisas que se praticavam nos séculos passados, ficamos ordinariamente muito ignorantes das que se praticam no presente.

[Descartes em O Discurso do Método]