quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A Corrosão do Carácter

Richard Rorty escreve, sobre a ironia, que é um estado de espírito em que as pessoas jamais são “exactamente capazes de se levar a sério, porque sempre sabem que os termos em que se descrevem estão sujeitos a mudança, sempre sabem da contingência e fragilidade de seus vocabulários finais, e portanto de seus eus”.106 Uma visão irânica de si mesmo é a consequência lógica de viver no tempo flexível, sem padrões de autoridade e responsabilidade.

[Richard Sennett cita Richard Rorty em A Corrosão do Carácter-Consequências pessoas do trabalho no novo capitalismo]

sábado, 21 de outubro de 2017

Cândido ou o Optimismo

Vamos trabalhar, sem teorizar. É a única forma de tornar a vida tolerável.

[Voltaire em Cândido ou o Optimismo]

A corrosão do carácter

As condições de tempo no novo capitalismo criaram um conflito entre carácter e experiência; a experiência do tempo desconjuntado ameaçando a capacidade das pessoas transformarem os seus caracteres em narrativas sustentadas.
[Richard Sennett em A corrosão do carácter] 

terça-feira, 13 de junho de 2017

autor desconhecido

No one else will ever know the strength of my love for you. After all, you’re the only one who knows the sound of my heart from the inside. 

[Autor desconhecido]

Neal Peterson

Tem tudo a ver com o modo de obter e aplicar conhecimentos.


[Neal Peterson entrevistado por Carlos Vaz Marques para o programa Pessoal e Transmissível]

William James

Como diz também o William James, nós não nos lembramos do passado, lembramo-nos da última vez que nos lembrámos. E quem se lembra de um conto, aumenta um ponto, ou diminui um ponto. Vamos construindo sempre uma narrativa...


[Manuel António Pina citando William James, numa entrevista de Pedro Dias de Almeida para a revista Praça Velha; Câmara Municipal da Guarda; (2009)]

Foundations of Mathematics

Aquilo em que pareço divergir de alguns dos meus amigos, é no facto de atribuir pouca importância ao tamanho físico. Não me sinto minimamente humilde perante a imensidão dos céus. As estrelas podem ser muito grandes, mas não são capazes de pensar ou de amar. E essas são qualidades que me impressionam bem mais do que o tamanho. Não tenho nenhuma honra em pesar quase 110 kg.

[Frank P. Ramsey em Foundations of Mathematics, (p.291)]

Conjecturas e Refutações

As palavras só são significativas enquanto instrumentos para formulação de teorias e os problemas verbais são uma maçada- deveriam ser evitados a todo o custo.

[Karl Popper em Conjecturas e Refutações, cap. XVI]

Noite de Veneza

Razetta: Ide aos vossos divertimentos e deixai-me.

Uma Voz de Mulher: Não! Desta vez apostei que havia de levar-te. Vamos, anda, cabeça doida, e não estragues o prazer de ninguém. Cada um por sua vez; ontem foi a tua; hoje passaste de moda. Quem não sabe conformar-se com a sua sorte é tão louco como um velho que queira passar por novo.

Outra Mulher: Vem, Razetta, nós é que somos os teus verdadeiros amigos. E não desesperamos de conseguir fazer-te esquecer a bela Lauretta. Basta-nos lembrar-te o que tu próprio dizias, alguns dias atrás; o que nos ensinaste. Não queiras perder esse título glorioso de primeiro vadio da cidade.

O Rapaz: Da Itália! Vem, nós vamos cear a casa da Camila. Verás que encontras lá a tua juventude, os teus velhos amigos, os teus velhos defeitos, a tua alegria. Queres matar o teu rival? Queres afogar-te? Deixa essas ideias, que só são dignas dos apaixonados vulgares. Lembra-te de ti próprio e não dês maus exemplos. Amanhã as mulheres de Veneza serão de todo inabordáveis, se esta noite correr a notícia de que Razetta se afogou. Vamos, repito-te, vem cear connosco.

Razetta: Está dito! Pudessem todas as loucuras dos amantes acabar tão alegremente como a minha!

[Alfred de Musset em Noite de Veneza]

Contra o Método

Sem dúvida, os nossos contemporâneos materialistas e bem condicionados são capazes de explodir de entusiasmo perante factos como as naves espaciais, a dupla hélice, a termodinâmica do não equilíbrio. Mas examinemos a questão de um ponto de vista diferente, e todas essas coisas se transformam em exercícios ridiculamente fúteis. Foram necessários biliões de dólares, milhares de assistentes bem preparados, anos de trabalho e esforço para permitir que alguns contemporâneos bastante rudimentares e bastante limitados dessem alguns pulinhos sem graça num lugar que ninguém no seu perfeito juízo pensaria em visitar- uma pedra quente, seca e sem ar. Mas os místicos, servindo-se apenas do seu espírito, viajaram através das esferas celestes até ao próprio Deus que viram em todo o seu esplendor, disso extraindo força para continuarem a existir e iluminação para si próprios e para os seus companheiros da humanidade. Só a incultura da opinião pública e dos seus implacáveis educadores, os intelectuais, e só a sua espantosa falta de imaginação poderá rejeitar estas comparações sem sequer as levar em conta.

[Paul Feyerabend em Contra o Método, cap.17]

domingo, 23 de abril de 2017